Nas estradas e encruzilhadas da Vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.

19
Set 07

Aquela madrugada, que tanto prometia, trouxe um alento indescritível aos humilhados e ofendidos. Era o fim do pesadelo, era o acordar ao sol de um dia lindo de primavera! E o Povo saiu à rua, reencontrando-se, e abraçou-se, sem hesitação nem timidez.

O Bastião do Carmo caiu! Mas essa queda trouxe o primeiro espinho da rosa anunciada na cedência do Movimento Militar ao então General António de Spínola. Acontecimentos ulteriores demonstrariam que não houvera qualquer alteração na personalidade do Presidente da Junta de Salvação Nacional. O general não pôde ou não soube redimir-se do seu passado de «observador», na mal dita Guerra Civil de Espanha, junto das tropas fascistas, nem em Estalinegrado, também junto das tropas sitiantes do III Reich. O Povo, crédulo e ignorante, aceitou-o como primeiro Presidente da República de Abril.
Em 28 Setembro de 1974, o mesmo Povo ficou a saber que havia uma «maioria silenciosa». Era a minoria daqueles que estiveram sempre com a ditadura fascista, há meses expulsa do Poder. E, como seu «inspirador», lá estava o general António de Spínola. Com esta «jogada democrática», o general ficou sem condições de exercer o cargo de Presidente da República de Abril... e renunciou.
Entretanto, os partidos políticos representados no Governo de Vasco Gonçalves não se entendiam na clarificação dos caminhos apontados pela madrugada de Abril.
Em 11 de Março de 1975, o general «inspirador» de nova «jogada democrática», é obrigado a refugiar-se em Espanha, ainda a Espanha fascista de Franco. E o Movimento Militar determinou a tomada de medidas enérgicas, designadamente junto do poder económico capitalista. Todavia, agudizavam-se as querelas entre os partidos. E entre os militares, também. O chamado Grupo dos Nove foi o segundo espinho da rosa. E Vasco Gonçalves é substituído. Com Pinheiro de Azevedo, Abril caminha inexoravelmente para o ocaso.
Em 25 de Novembro de 1975, o ajuste de contas é implacável. O General Ramalho Eanes será eleito o primeiro Presidente da República de Novembro. E depois, até hoje, cresceram na rosa vários espinhos.
O Povo, desiludido, resignou-se. E vai votando, de 4 em 4 anos, maquinalmente, a perpetuação do Portugal de Novembro, que se não cansa de anunciar o frio e o desconforto do inverno de Dezembro, democraticamente...
Até sempre!
Gabriel de Fochem
19/9/2007.
publicado por Do-verbo às 16:43

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