Nas estradas e encruzilhadas da Vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.

14
Set 08


Já nasci na prisão.
Fiz do medo
um brinquedo
que trazia na palma da mão.
Fui menino enjeitado.
Fui soldado.
Fui adulto explorado.
Fui vexado.
Vi o medo tolher
quantos homens sem medo!
Vi crianças comer
um bocado já duro de pão.

E vi mães em segredo
a beijarem o pão que caíra no chão!
Eu vi tudo o que havia de feio!
E passados que são tantos anos,
um amargo receio
de não ver
esta safra de enganos
finalmente ceder
à verdade de ser.
Um receio doído,
como a fome sem pão,
como um homem traído p'la vil delação,
como a flor da esperança
que a vergonha dos homens insulta
na inocência das mãos da criança
condenada a nascer já adulta...

 

 


José-Augusto de Carvalho
20 de Abril de 2002.
Viana *Évora*Portugal
publicado por Do-verbo às 13:26

Ola visitei seu blog e sinceramente achei um barato e gostaria de convidar para acessar o meu também e conferir a postagem desta semana: TEMPOS POLÍTICO-MODERNOS.
Sua participação será um grande prazer para nós
Acesse: www.brasilempreende.blogspot.com
Atenciosamente,
Sebastião Santos.
Brasil Empreende a 12 de Outubro de 2008 às 03:46

Olá, Sebastião!
Grato pelo comentário.
Irei visitar o teu espaço.
Desde Portugal, o meu abraço.
José-Augusto
Anónimo a 12 de Outubro de 2008 às 14:29

Caro José Augusto

Em termos psicologicos a catarse é um bem, uma necessidade para quem viveu um grande mal,feita em poema, embora suavize a descrição, parece que ainda faz mais sangrar a ferida para a depurar, porque tudo chega em quantidade e qualidade certas.

Nesta catarse, remédio bom para males passados, há também um quê de aviso para males vindoiros que não se desejam, e precisavam de ser banidos para todo o sempre do convivio dos humanos.

abraço
asilva

belo poema.
um abraço
asilva
andrade da silva a 15 de Outubro de 2008 às 00:07

Através do Lumife vim descobrir a tua poesia. Gostei. Um beijo.
Paula Raposo a 20 de Outubro de 2008 às 12:51

Gostei imenso deste poema, sitaram-no no meu blog e tive de vir ver e ler mais sobre o seu autor.

Muitos parabens, continue.

Um abraço
My Overdose a 30 de Dezembro de 2008 às 16:51

Setembro 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO