Nas estradas e encruzilhadas da Vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.

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É-me sempre penoso ouvir ou ler os arrependidos.

Tenho o desprazer de conhecer alguns e algumas. Quem não os/as conhece, afinal? Destilam ódio quando falam ou escrevem, ódio de si mesmos, pois falam de um passado que assumidamente viveram. Obstinadamente, denigrem as causas que abraçaram e de que se afastaram ou de que foram afastados.

Comprazem-se em relatar episódios ou situações, mas sempre em condições de não poderem ser contraditados. Falam dos outros, esquecendo que ao tempo eram parte integrante desses outros, obviamente com as mesmas responsabilidades. E a denúncia não os absolve, se é que carece de absolvição o que dizem e/ou escrevem, desde que conforme com a veracidade e o rigor.

Claro que a praga dos arrependidos é de sempre. Como é de sempre o apetite conveniente por ouvi-los ou lê-los.

Outrossim é claro que grassa por aí um jornalismo que divulga ou dá voz aos arrependidos sem buscar a elementar comprovação do que permite seja propalado. E assim é conivente no lodaçal da delação.

É que a questão não passa pela denúncia. Passa sempre, evidentemente, pela queixa formal a quem de direito. Para tanto, bastará, ao que suponho saber, uma carta à Provedoria Geral da República ou à Polícia Judiciária. São estas Entidades Oficiais da República que averiguam as iniquidades e depois as remetem a Juízo.

Vivemos, desde a vitoriosa Revolução dos Cravos, num Estado de Direito.

Até sempre!

José-Augusto de Carvalho

Lisboa, 10 de Agosto de 2012.

publicado por Do-verbo às 00:05

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