Nas estradas e encruzilhadas da Vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.

24
Jan 13

Campo de papoilas, foto internet
 
«O Alentejo não tem sombra
senão a que vem do céu…»
Se tanta lonjura assombra,
mais assombra a tremulina
que cai, em dourado véu,
sobre o espanto da campina.
*
São os caminhos dos olhos
a rasgar os horizontes,
onde o «alecrim aos molhos»
perfuma a sede das fontes
e a ternura das cantigas
doira a fome nas espigas.
*
É esta raia de Espanha
acendendo a tentação
de buscar em terra estranha
o alor que leveda o pão…
Sonho roendo as entranhas
em dorida punição.
*
É esta angústia que canto
da promessa dum país,
é este parto de espanto,
nos desolados adis,
um manto que tudo cubra,
sangrando, em papoilas rubras.
*
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 22 de Janeiro de 2013.
publicado por Do-verbo às 16:09

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