Nas estradas e encruzilhadas da Vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.

05
Jul 13
 

 

 

Cada dia que passa o mundo é mais pequeno.

 

As notícias que chegam desnudam as misérias do embuste,

 

do embuste que se reclama dos direitos humanos.

 

 

 

O embuste que avilta a dignidade dos homens,

 

O embuste que enlameia a honra das mulheres,

 

O embuste que assassina a inocência das crianças,

 

O embuste que disputa os despojos da infâmia que gera.

 

 

 

O embuste que, em frenético leilão,

 

Compra e vende consciências.

 

 

 

O embuste que clama pelo fim dos tempos:

 

É preciso vender!

 

É urgente vender!

 

É inadiável vender

 

As manhãs orvalhadas de vida,

 

As noites enamoradas dos rouxinóis,

 

O mar salgado de lágrimas dos desencontros dos amantes,

 

As auroras da esperança!

 

 

 

O embuste que inventou os pobres

 

e lava a consciência das aparências

 

nas águas salobras da caridadezinha e das esmolas.

 

 

 

O embuste que inventou a lotaria,

 

a lotaria que faz um rico e desespera milhões de pobres...

 

 

 

O embuste da palavra que anestesia os ofendidos

 

e tortura os sonhos da noite da servidão.

 

 

 

O embuste que vocifera do cimo do palanque:

 

É preciso calar os gritos dos humilhados!

 

É urgente sufocar o sangue dos revoltados!

 

É inadiável crucificar todos os perigosos malvados,

 

esses perigosos malvados que sabem conjugar

 

o verbo em todos os tempos!

 

 

 

 

 

José-Augusto de Carvalho

 

1 de Julho de 2013

 

Viana * Évora * Portugal

publicado por Do-verbo às 10:41

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