Nas estradas e encruzilhadas da Vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.

11
Set 07


Seguramente esta es la última oportunidad en que me pueda dirigir a ustedes. La Fuerza Aérea ha bombardeado las torres de Radio Portales y Radio Corporación.

Mis palabras no tienen amargura, sino decepción, y serán ellas el castigo moral para los que han traicionado el juramento que hicieron... soldados de Chile, comandantes en jefe titulares, el almirante Merino que se ha autodesignado, más el señor Mendoza, general rastrero ... que sólo ayer manifestara su fidelidad y lealtad al gobierno, también se ha nominado director general de Carabineros.

Ante estos hechos, sólo me cabe decirle a los trabajadores: ¡Yo no voy a renunciar! Colocado en un tránsito histórico, pagaré con mi vida la lealtad del pueblo. Y les digo que tengo la certeza de que la semilla que entregáramos a la conciencia digna de miles y miles de chilenos, no podrá ser segada definitivamente.

Tienen la fuerza, podrán avasallarnos, pero no se detienen los procesos sociales ni con el crimen... ni con la fuerza. La historia es nuestra y la hacen los pueblos.

Trabajadores de mi patria: Quiero agradecerles la lealtad que siempre tuvieron, la confianza que depositaron en un hombre que sólo fue intérprete de grandes anhelos de justicia, que empeñó su palabra en que respetaría la Constitución y la ley y así lo hizo. En este momento definitivo, el último en que yo pueda dirigirme a ustedes,. quiero que aprovechen la lección. El capital foráneo, el imperialismo, unido a la reacción, creó el clima para que las Fuerzas Armadas rompieran su tradición, la que les enseñara Schneider y que reafirmara el comandante Araya, víctimas del mismo sector social que hoy estará en sus casas, esperando con mano ajena reconquistar el poder para seguir defendiendo sus granjerías y sus privilegios.

Me dirijo, sobre todo, a la modesta mujer de nuestra tierra, a la campesina que creyó en nosotros; a la obrera que trabajó más, a la madre que supo de nuestra preocupación por los niños. Me dirijo a los profesionales de la patria, a los profesionales patriotas, a los que hace días estuvieron trabajando contra la sedición auspiciada por los Colegios profesionales, colegios de clase para defender también las ventajas que una sociedad capitalista da a unos pocos. Me dirijo a la juventud, a aquellos que cantaron, entregaron su alegría y su espíritu de lucha. Me dirijo al hombre de Chile, al obrero, al campesino, al intelectual, a aquellos que serán perseguidos... porque en nuestro país el fascismo ya estuvo hace muchas horas presente en los atentados terroristas, volando los puentes, cortando la línea férrea, destruyendo los oleoductos y los gasoductos, frente al silencio de los que tenían la obligación de proceder: estaban comprometidos. La historia los juzgará.

Seguramente Radio Magallanes será acallada y el metal tranquilo de mi voz no llegará a ustedes. No importa, lo seguirán oyendo. Siempre estaré junto a ustedes. Por lo menos, mi recuerdo será el de un hombre digno que fue leal a la lealtad de los trabajadores.

El pueblo debe defenderse, pero no sacrificarse. El pueblo no debe dejarse arrasar ni acribillar, pero tampoco puede humillarse.

Trabajadores de mi patria: tengo fe en Chile y su destino. Superarán otros hombres este momento gris y amargo, donde la traición pretende imponerse. Sigan ustedes sabiendo que, mucho más temprano que tarde, de nuevo abrirán las grandes alamedas por donde pase el hombre libre para construir una sociedad mejor.

¡Viva Chile! ¡Viva el pueblo! ¡Vivan los trabajadores!

Estas son mis últimas palabras y tengo la certeza de que mi sacrificio no será en vano. Tengo la certeza de que, por lo menos, habrá una lección moral que castigará la felonía, la cobardía y la traición.

Salvador Allende

Santiago de Chile 1973

publicado por Do-verbo às 16:13




Já fui maltês e ladrão
de quanto me foi roubado.
Meu covil foi o montado;
meu camarada, o suão.

Fui livre à minha maneira,
como um homem deve ser.
A Lei dei a conhecer
da mira da caçadeira.

Por roubar o que era meu,
nas malhas bem apertadas
das baionetas caladas
caí num dia danado!
Mas contas ninguém me deu
de quanto me foi roubado...

José-Augusto de Carvalho
In «arestas vivas», 1980
Lisboa, 1969.
publicado por Do-verbo às 00:17

07
Set 07
 
Nevado de anos, roxo de amargura,
do tempo sem memória me levanto.
Os séculos de treva e de clausura
de fel enrouqueceram o meu canto.
Sangrenta a crença, bárbaro o costume,
sofri as vergastadas do martírio.
Sem culpa nem perdão, em dor e lume,
morri perante as turbas em delírio.
Restou de mim tão pouco, um quase nada,
que vem gritar, do pó do esquecimento,
que a cinza do meu corpo dói, gelada,
à míngua do fulgor do pensamento.
Ampara-me o carinho que me chama
e lava a negação da minha lama.


 

José-Augusto de Carvalho
11 de Março de 2004.
publicado por Do-verbo às 13:07

06
Set 07

 

 

 

 

 

 

 
 
Escravo da gleba no domínio de Fochem,

vagueia no nevoeiro do tempo,

assombrando as consciências

dos arautos da mentira e da infâmia...
 
 
 
José-Augusto de Carvalho
Viana*Évora*Portugal
publicado por Do-verbo às 12:50

 

 

 

Apolo e José-Augusto de Carvalho
 
publicado por Do-verbo às 12:16

publicado por Do-verbo às 11:23




O relógio parado!
Há um tempo de assombros
neste fardo pesado,
esmagando-me os ombros.

Quando um número primo
do comando, a pantalha enrubesce
e, no fundo do pântano, o limo
é notícia e floresce.

É urgente o momento total,
situando um presente sem muros,
e um jogral
prevenindo os futuros!

É urgente
sermos gente!


José-Augusto de Carvalho
Viana * Évora * Portugal
publicado por Do-verbo às 10:59


«Deus manda ser bom,
 
 
mas não manda ser parvo...»



(A sabedoria popular no Alentejo. Citando de cor.)
publicado por Do-verbo às 00:26

05
Set 07

 

Depressão.jpeg

 

Sou versado em coisa nenhuma. Cidadão comum das vielas , aprendo com a vida, dia a dia, a furtar-me às arremetidas dos senhores da cidade. Na mesa modesta, que mais não consente o salário determinado pelos senhores da cidade, vou comendo o tal pão que o diabo amassou. Não invejo os senhores da cidade porque recuso ser um deles. Se os invejasse, talvez, por ínvios caminhos, viesse a ocupar um lugar na fortaleza e a ser pior do que eles. O importante para quem é versado em coisa nenhuma é arrazar a fortaleza e reduzir os senhores da cidade a cidadãos comuns das vielas. E não será nivelar por baixo, mas anular privilégios.

Eu, cidadão versado em coisa nenhuma, sei que por muito que mude de senhores, nunca mudarei de condição. E o drama não está na minha condição, mas na minha permissão. Se os senhores da cidade são tão poucos e os cidadãos versados em coisa nenhuma são tantos, só uma permissividade aberrante consente que o oiro de um palácio seja a fome de um casebre. Esta grande verdade que coloquei em itálico é do poeta José Duro, falecido em 1899, em Lisboa. Ele, se vivesse ainda, não se importaria de que me socorresse do seu verbo. Meu pobre José Duro que, quando já só ossos descarnados, foste parar à vala comum, triste destino dos ossos abandonados. Nem a subscrição pública surtiu. Para nossa vergonha.
Eu, cidadão versado em coisa nenhuma, sei que sou aluno aplicado da universidade da vida. E que só concluirei os meus estudos quando o nada me bater à porta.
Sou poeta quando canto: Da terra sou devedor / a terra me está devendo / que a terra me pague em vida / que eu pago à terra em morrendo. E, depois, que faço eu? Pago (vou pagando..) à terra, mas, antes, permito (vou permitindo...) que a terra me fique devendo...
Sou sábio quando afirmo: Deus manda ser bom, mas não manda ser parvo. Mas continuo parvo. E se tivesse um pouco de bom, seria bom para mim...
Sou indigno de mim e dos outros quando digo: A minha política é o trabalho. Quando eu souber, de uma vez por todas, que trabalho é uma actividade e que política é governar a cidade, saberei, finalmente, que não posso nem devo esperar que os demais façam o que só eu tenho o dever e o direito de fazer.
Serei eu, digno de mim, quando assumir os meus deveres e os meus direitos de cidadão versado em coisa nenhuma.
Só nessa hora saberei quanta verdade encerra a parábola dos vimes.



Gabriel de Fochem
Domingo, 23 de Abril de 2006.
publicado por Do-verbo às 22:54

Ah, a Revolução dos Cravos!
Sabemos que o 25 de Abril de 1974 é uma data remota. Assinala a data em que um movimento militar, com o entusiástico apoio popular, derrubou o regime totalitário que vigorou de 1926 a 1974.
Também sabemos que o 25 de Novembro de 1975 assinala outro movimento militar, este com o objectivo conseguido de interromper a marcha revolucionária.
Os cravos murcharam.
Onde estão os sonhos que embalaram o povo durante a longa noite fascista?
Onde estão as certezas prometidas ao povo com a alvorada de Abril?
O Poeta Miguel Torga disse que "nascer em Portugal é uma condenação". Será?

 
Gabriel de Fochem
Sexta-feira, 14 de Abril de 2006.
publicado por Do-verbo às 22:51

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