Nas estradas e encruzilhadas da Vida, liberto das roupagens da vaidade e da jactância, tento merecer esta minha condição de ser vivo.

07
Set 14

 

A reflexão que o leitor lerá a seguir decorre de uma casualidade, casualidade relevante, porque me permitiu alinhavar estas considerações, que  partilho.

 

Ouvi, há dias, um diálogo curioso. Não cometo nenhuma inconfidência ao referi-lo, porque ocorreu em lugar público e sem qualquer indício de sigiloso. Nem o tema era merecedor de recato.

O tema em discussão era definir o perfil de um candidato a um cargo directivo. Como bem se compreende, tema importante; e a preocupação igualmente compreensível.

É importante o perfil de um candidato e não menos importante é votar num candidato com perfil ajustado à função a que se propõe.

O interessante do diálogo era a preocupação incidir sobre a popularidade do candidato a encontrar. Em boa verdade, não foi manifestada preocupação pela capacidade.

Este meu reparo coincidirá com algumas observações habituais de muitos eleitores sobre candidatos: “este é simpático”; “aquele nunca se ri”; “não gosto da cara daqueloutro” ; e por aí…

Nada tenho a opor às apreciações que cada um faz e declara ou cala. Tenho, sim, que sejam ou possa ser determinantes na sua decisão de votar.

Sustento, e muitos me acompanham nesta posição, que a decisão de votar, de escolher, afinal, deve assentar na competência e nos valores que qualquer candidato comprovadamente defende.

Mais sustento, e aqui também não estou sozinho, que deveremos mais privilegiar a prática quotidiana do candidato do que os seus discursos de campanha.

Sustento ainda, e finalmente, que será sempre ideal questionar o candidato, de preferência em sessões de esclarecimento, porque as respostas que der às perguntas que lhe forem dirigidas serão matéria para reflexão e posterior decisão quando o eleitor for chamado a votar, isto é, a escolher quem considera mais apto para o cargo político ou outro.

Espero que o leitor não esteja propondo meditação sobre a inexistência de sessões de esclarecimento. Se for esse o caso, dir-lhe-ei que um candidato que se oponha a sessões de esclarecimento não terá o meu voto.

Até sempre!

Gabriel de Fochem

7 de Setembro de 2014.

publicado por Do-verbo às 19:17

03
Set 14

Nestes tempos que vivemos, os acontecimentos que nos desgostam e/ou nos indignam sucedem-se a um ritmo avassalador.

Sei que é recorrente esta afirmação, mas nem sempre há a predisposição para o silêncio. Como diz o velho rifão: Um homem não é de ferro!

Vivemos tempos difíceis!

Vivemos tempos difíceis, fundamentalmente devidos à acção despudorada do Homem.

Em todas as latitudes, há violência: a violência da fome; a violência da carência; a violência da intolerância; a violência do esbulho; a violência dos conflitos armados; a violência dos jogos obscenos de poder e de opressão.

Hoje, os telejornais abrem, via de regra, com notícias de desgraça, de desprezo pela Vida, de insulto e humilhação.

Vivemos tempos difíceis!

A globalização da desumanidade e da infâmia é a realidade de todas as horas.

E se é verdade em termos globais, adentro do nosso pequeno mundo também as coisas não irão melhor.

Hoje, pessoa amiga visitou-me para me dar a notícia da morte de alguém que bem conhecíamos. Este facto banal não motivaria a redacção de qualquer texto. Afinal, morrer é a consequência natural de qualquer ser vivo. A Morte vive connosco. É a única certeza que temos nesta vida!

O que motivou estas linhas foi constar que a pessoa morreu há três ou quatro dias e só ontem se ter sabido.

Esta funesta ocorrência levanta a interrogação: os Centros de Saúde, as Juntas de Freguesia, as Câmaras Municipais não têm sinalizadas as pessoas em risco, designadamente as que vivem sozinhas?

É com desgosto e indignação que vivo estes dias de desumanidade e violência.

Li, há anos, um texto de autor brasileiro, cujo nome não recordo, no qual, uma personagem dizia: «Se o mundo é isto, parem o «bonde» (carro eléctrico), porque eu quero sair.»

Até sempre!

 .

José-Augusto de Carvalho

3 de Setembro de 2014.

Viana*Évora*Portugal 

publicado por Do-verbo às 18:59

30
Ago 14

 

 

 

 

Exmos. Leitores: 

 

Depois de muito ponderar, concluí pela exclusão, neste espaço, dos textos já editados em livro.

 

Se é exacto que este espaço é um importante meio de divulgação dos textos que vou escrevendo, também é exacto que, muitos deles, tiveram e continuam tendo por objectivo último a edição em livro.

 

Além do mais, a acumulação de textos aqui publicados muito me dificulta a gestão minimamente aceitável deste espaço.

 

Espero a benevolência de todos para a decisão que tomo.

 

Cordiais saudações.

 

José-Augusto de Carvalho

30 de Agosto de 2014.

Viana *Évora*Portugal

publicado por Do-verbo às 19:32

 

 

 

Saboreio os sentidos da palavra,

a palavra no verso da canção,

a subir, na tontura da evasão,

onde nada ou ninguém a cala ou trava.

 

A palavra que salta do papel

a ganhar-se papoila a mais vermelha!

E sangrando na cor, seduz a abelha

tão sedenta de pólen-raro mel.

 

A palavra que trémula floresce

nos nocturnos doídos da incerteza,

onde o verso recusa ser a presa

que, vergada, se rende e deliquesce.

 

A palavra canção e melodia

que se inventa nas pétalas da flor

e é o mel de dulcíssimo sabor

alentando a porfia cada dia…

 

 

José-Augusto de Carvalho

23 de Agosto de 2014.

Viana*Évora*Portugal

publicado por Do-verbo às 19:26

04
Jan 14

 

 

Andam por aí uns quantos reclamando que a Constituição da República carece de revisão. Até eu concordo, a bem do primado da Lei e da Democracia.

Aos doutos reclamantes proponho esta alteração fundamental, a ser referendada, de modo deliberativo e não consultivo, a fim de que o Povo sem voz se pronuncie de vez:

 

Artigo - Todos os governantes, seja Poder Central, seja Poder Regional, seja Poder Local, cumprirão escrupulosamente os seus programas sufragadas pelo Povo Eleitor.

 

Único – O incumprimento total ou parcial provocará a sua destituição pelo Tribunal Constitucional, com efeitos imediatos, e a convocação de novo acto eleitoral.

 

Vamos a isto?

 

 

José-Augusto de Carvalho

4 de Janeiro de 2014.

Viana * Évora * Portugal

publicado por Do-verbo às 22:57

28
Dez 13

 

Obra do Escultor Fernando Fonseca.

publicado por Do-verbo às 21:37

29
Out 13

 

 

 

Estive a reler o período da nossa História definido como Regeneração.  Como todos sabemos, e também assim no-lo confirma Houaiss, no seu Dicionário da Língua Portuguesa , regenerar significa efectuar nova organização em, reorganizar, etc.

Agora, não valerá a pena deter-me no que li, mas, tão-só, deter-me na palavra regeneração, no seu significado e no modo como se perfila e me exige que a pondere nestes nossos tempos de hoje.

Com o decorrer dos tempos, com as sempre nefastas intromissões da rotina, com as influências dos incautos ou impreparados, etc., as degenerescências instalam-se, gradualmente. E é isto que reclama a regeneração.

É saudável parar para avaliar cada troço do caminho percorrido. Fazer, afinal, aquilo que os mareantes designam por correcção da rota.

Os condutores da marcha, aqueles a quem incumbe determinar as escolhas do caminho adequado, são os mesmos de quem Fernando Pessoa nos fala no seu poema O Mostrengo quando coloca na boca do piloto da nau estas palavras decisivas: «Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um povo que quer o mar que é teu...»

Confiar nos condutores da marcha significa uma delegação de um poder e não uma sujeição. O condutor de uma marcha não é uma autoridade arbitrária sobre os demais, é uma capacidade, capacidade que deve ser avaliada a todo o momento. Sabemos que errar é humano; e também sabemos ser humana a decisão de corrigir esse erro. Se bem que também seja  humano, insistir no erro é atitude pouco inteligente e sempre prejudicial. Daqui se extrai a meridiana conclusão de ter de ser substituído quem não cumpre a tarefa que lhe foi confiada. E quando o erro não é corrigido ou quando o condutor da marcha não é substituído devido à sua inépcia, aqueles que abandonam um barco sem rota ou à deriva fazem-no porque não têm poder para alterar a situação, restando-lhes assumir a sua indisponibilidade de continuar a caminhar para nenhures.

Que trágico é olharmos um barco navegando rumo a nenhures!

 

José-Augusto de Carvalho

28 de Outubro de 2013.

Viana*Évora*Portugal

publicado por Do-verbo às 13:53

29
Set 13

 

 

 

Um conterrâneo que muito prezo recorda-me amiudadas vezes que só todos juntos sabemos tudo. Sábias palavras estas! 
Constantemente, temos notícia de quem cumpre e também de quem não cumpre esta sabedoria --- a nível local, a nível nacional, a nível global.
Se é verdade que há gente que tem a atitude grande de reconhecer que só todos juntos sabemos tudo, também há gente que tem a pequenez da jactância de tudo saber.
Exemplos concretos de ambas as posturas têmo-los às toneladas. Basta olhar em derredor.
Quantos de nós vivemos situações de partilha, numa conjugação de esforços responsável?
Bem-hajam, sempre!, aqueles que apreenderam e seguiram a sabedoria da parábola dos vimes!
Quantos de nós vivemos situações de frustração até à recusa de subscrever enormidades que estão aí, bem visíveis, demonstrando a razão que nos assistia?
Relevemos, embora sem ira nem desejo obstinado de vingança, a pequenez da jactância e os seus resultados perniciosos, resultados que perduram como uma condenação e a todos lesam.
Os pecados constantes seguidos dos perdões constantes e da estafada recomendação «Vai e não peques mais!» tornam o confessionário inócuo. E com isto que digo recupero o Poeta Guerra Junqueiro em «Um justo não perdoa, julga!».
Até sempre!
José-Augusto de Carvalho
Lisboa, 29 de Setembro de 2013.

publicado por Do-verbo às 21:09

10
Ago 13

 

 

Quando imposto, o silêncio é coisa séria. Da minha passagem pela Imprensa diária, na já distante década de sessenta, recordo uma directiva recebida dos Serviços de Censura, que dizia mais ou menos, cito de memória: a partir deste momento, é expressamente proibida qualquer referência ao senhor dr. José Afonso. Assim mesmo, aqueles senhores silenciavam, mas tinham estes requintes, por vezes, claro, por vezes...

Sabemos que silenciar alguém é prática velha e serve, evidentemente, para anular as vozes incómodas. E a incomodidade tanto pode decorrer da falta de paciência para escutar dislates, como da considerada inoportunidade de algumas intervenções.

Sabemos do velho grito «O rei vai nu!» Todos viam, mas não era conveniente afirmá-lo. Ganhava a conveniente dissimulação. 

Isto de dizer a verdade inconveniente é coisa perigosa e conhecida desde há muito. Quem não ouviu dizer que cortaram a cabeça a São João, o baptista, por dizer a verdade? Pois é, quem se mete por atalhos, mete-se em trabalhos. 

Do meu canto, tento acompanhar o dia-a-dia desta inditosa pátria tão mal amada. Que me perdoe o Luís de Camões, mas veio a propósito distorcer a sua memorável e sentida manifestação de amor a Portugal. Amor não correspondido, aliás, ontem e hoje. Isto de amar o torrão natal e as suas gentes nem sempre á coisa pacífica. E o mais curioso é que esta inconveniência é como o vento -- sopra daqui, sopra dali... e, quantas vezes, já nem sabemos como e onde abrigar-nos da ventania.

Seja como seja, mais mal do que já fizeram não poderão fazer os agentes eólicos.

Do meu canto, tento estar atento e paciente, aguardando que passe o temporal. E de temporal em temporal, mais agredido, menos agredido, vou resistindo até ao juizo dito final. Até lá, siga a dança! E se a morte vier, que venha! Sabemos, também, é da sabedoria popular, que se queres ser bom, morre ou vai-te embora! Eu cá estarei quando vier esse consolo! Eu e muitos mais, porque não sou exemplar único...

Até sempre!

 

Gabriel de Fochem

10/8/2013.

NOTA: Imagem Internet, com a devida vénia

publicado por Do-verbo às 17:01

03
Ago 13

 

 

 

 

Prezado Amigo:

Pergunta-me, na sua carta sob resposta, o motivo por que tanta gente anda alheada. Pois é, não havendo efeito sem causa, será indispensável saber o porquê do alheamento que grassa por aí.

Sabemos que há muitas perguntas e poucas respostas, mas este tempo é deveras um tempo de perguntas, mais exactamente, um tempo de interrogação.

Ora, este tempo assentará numa crescente perda de valores. Estaremos numa encruzilhada? Talvez. Tal como os impérios têm as três fases clássicas -- ascensão, apogeu e queda, também a sociedade terá o ímpeto, o auge e a decadência. O ímpeto será a construção; o auge, a fruição; a decadência, o fim do ciclo.

A fase do ímpeto caracterizar-se-á pela entrega empenhada, onde todos são indispensáveis e concertados num todo conforme as suas capacidades; a fase da fruição será a satisfação pelo êxito obtido; a decadência será a fase da penalização de quem não percebeu que a efemeridade do presente exige que se prepare o futuro, incessantemente.

Consumada a decadência, outro ímpeto se impõe. Para lhe dar corpo e vigor, de novo se impõe a entrega empenhada, onde todos são indispensáveis e concertados num todo conforme as suas capacidades. E quando obtido novo êxito, que seja comedida a fase da fruição e incessantemente preparado o futuro, prevenindo a fase da decadência, porque esta sempre estará à espreita.

Meu Amigo, os responsáveis pela decadência não são as vítimas da jactância e da irresponsabilidade no poder. Certo?

Até sempre!

G.F.

3/8/2013,

publicado por Do-verbo às 13:18

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